A pesquisa e os textos possíveis – Abril, 2008
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Todos concordamos que é muito interessante ver a pesquisa como tópico dos mais votados entre os visitantes do site da CNA. Os motivos individuais para tal escolha não devem variar muito. Por outro lado, o que se entende por ela, sim.
Já percebeu isso? Experimente perguntar ou conversar a respeito do assunto e você terá surpresas. Poderá constatar que há dela muitas representações dispersadas pela imaginação popular.  A figura de um indivíduo descabelado, com guarda-pó, em meio a frascos de vidros e numa sala meio empoeirada é personagem de cinema em que ciência e pesquisa se apresentam de forma caricatural.

Além dessa, temos outras não tão extremadas e que estão bem próximas de nós. Por exemplo, a de que só há pesquisa se houver estatística. Ou então, que só se faz pesquisa da boa na academia. Ou então a de que não se faz pesquisa estudando e fazendo palestras. Estas últimas são formas adequadas de veicular conhecimento e também devem ser consideradas como pesquisa.

Mas a pesquisa, qualquer que seja ela, precisa de mais. Na verdade, o mundo da pesquisa encarada de forma geral, está entre todos os que estudam muito e também entre nós, astrólogos. O que falta então? 

Falta a documentação, os textos que servem de prova desse movimento de busca por conhecimento.  Essa talvez seja uma das maiores dificuldades: gerar textos. Se perguntarmos aos palestrantes e professores astrólogos quantos textos eles escreveram ou publicaram, teremos surpresas. Quase nada, em sua maioria. E, paradoxalmente,  eles pesquisaram muito enquanto se preparavam para suas aulas e palestras.

As publicações mais recentes estão longe de tirar o atraso em relação ao que o astrólogo brasileiro é capaz de produzir. Mas, estamos no caminho certo, buscando ampliar as oportunidades de pesquisa, para daí, publicá-las marcando o terreno andado e indicando a produção do nosso conhecimento. Podemos tornar, assim, mais visível para o público o que já sabemos a respeito da qualidade da Astrologia brasileira.

Os textos são um grande desafio e conferem transparência a tudo o que o estudioso acumula de informação e de construção intelectual.   O modelo acadêmico tem aparecido como aquele a ser atingido, o único, mas existem muitos tipos apropriados de texto que podem cumprir a necessidade de expressar as idéias aprendidas e pesquisadas.

Podemos citar, entretanto, entre outros gêneros, os artigos de jornal, revistas ede site, o livro de muitos autores ou de responsabilidade de um só autor e até o blog que também pode ter essa função. Por fim, há os tipos de textos dissertativos de natureza científica – dentre os quais se incluem os modelos acadêmicos -  que podem ter várias formas dependendo da instituição em que forem apresentados. Há regras que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) determina como adequadas. Cada instituição educacional, em geral, estuda tais regras e indica como deverão ser suas monografias. 

Portanto, são muitas as possibilidades e essa escolha depende do que se quer comunicar, ou seja, dos objetivos do autor. A partir daí, um conjunto de dados estudados ou pesquisados poderá ganhar a forma de um artigo ou a de uma tese completa,  com justificativa, objetivos, metodologia etc., tudo aquilo que compõe um texto dissertativo de cunho científico.

O próximo aspecto a ser considerado é a qualidade dessas pesquisas e desses textos. E estarem publicados em algum veículo de comunicação ou em papel impresso, não significa que texto e pesquisa devem ser incondicionalmente aceitos.  Especialmente em se tratando de textos da Internet, sua aceitação é aspecto controverso. 

O leitor deverá identificar a propriedade dos dados coletados e também a qualidade da produção escrita. Os textos deste site apresentam informações adequadas? A bibliografia indicada é fonte segura? Os posts deste blog são pessoais demais? Este artigo, quanto aos argumentos, é coerente, coeso e lógico?

Essa ação discriminativa me parece importante no mundo contemporâneo de tantas mídias. Entre o trabalho de estudo e de construção de conhecimento, que é a pesquisa, e o seu produto, que são os textos em sua variedade, temos, portanto um universo enorme de aprendizagem. Cabe a nós, o público, usufruir dele em seus múltiplos aspectos.

E também cabe a cada um de nós a tarefa de produzir a nossa parte de pesquisa e de textos. Participemos desse universo!